21/03/2017

Rito de Equinócio de Outono – 19/03/2017 秋彼岸 2017年3月19日



Sejam todos bem-vindos a esta cerimônia de Equinócio de Outono. Excepcionalmente, hoje estou substituindo o Superior deste Templo, que foi convocado para assumir alguns compromissos em nossa matriz em São Paulo.

Existe um ditado em japonês que diz que por mais calor ou mais frio que se faça, só persiste até o equinócio. E isto pôde ser percebido de ontem para hoje. Pois depois de dias seguidos de muito calor, hoje amanheceu bem mais frio.

Esta cerimônia tem como ponto central, nossa homenagem àqueles que partiram antes, os nossos entes queridos já falecidos. A palavra “higan” não significa equinócio. Ela significa “a outra margem”. Ou seja, nós aqui, vivemos no mundo Saha, o mundo da ilusão, das paixões mundanas. E a outra margem representa a Terra Pura, o mundo dos Budas e Bodhisattvas, e para onde nossos falecidos se dirigiram.

Já estamos neste templo há 17 anos e tenho guardado na lembrança a passagem de muitas pessoas, pessoas que fizeram parte desta comunidade, seus familiares e amigos. Todos encerraram suas vidas e partiram deixando suas marcas. A separação é sempre dolorosa. Mas este é o caminho que trilhamos. Eu costumo dizer que à medida que envelhecemos, mais aumenta o número de parentes e amigos de quem nos despedimos, nos separando por ocasião do falecimento. Mais do que nascimentos, contabilizamos mais mortes em nossas vidas.

Desde o começo do ano, já ocorreram alguns ritos fúnebres neste templo. Em janeiro e fevereiro duas pessoas da comunidade de Mauá da Serra faleceram deixando ainda vivos, os seus pais. Os pais sobreviveram aos seus filhos, tendo que realizar seus ritos fúnebres e enterrá-los. Nessas horas me lembro das palavras da Carta da Ossada Branca do Mestre Rennyô, que diz que quando sopra o Vento da Impermanência, não há distinção nem entre jovens e velhos. Costumamos pensar que o normal é que os filhos enterrem seus pais idosos, mas nenhum de nós faz ideia de até quando sobreviveremos, por isso, pode ocorrer sim, dos pais estarem presentes no funeral de seus filhos. Talvez não haja pior dor do que uma mãe, um pai perder um filho. Este é o significado da Impermanência, ou seja, nada é óbvio e certo, de nada adianta planejar antecipadamente querendo controlar os acontecimentos, pois nada ocorre conforme pensamos que deveria ocorrer.

Hoje, nesta cerimônia de Ohigan, vocês trouxeram os Ihais – tabuletas memoriais das pessoas queridas falecidas e nós os colocamos no Altar lateral. Nesta oportunidade nós homenageamos e nos lembramos deles, oferecemos incenso, juntamos nossas mãos e participamos deste rito de todo coração.

Há alguns dias, uma jovem questionou o seguinte: a quem é destinado os ritos fúnebres, as cerimônias budistas, os ofícios memoriais? Quem é beneficiado? Os vivos ou os mortos? Este é um ponto que gostaria de pensar um pouco com os senhores.

Atualmente no Japão, há um movimento de pessoas que acreditam que não há necessidade de se realizar ritos fúnebres, de se fazer funerais, por conta de que são dispendiosos e trabalhosos. Ou seja, custa muito dinheiro.

No Budismo, costumamos fazer uma analogia da morte dizendo que quando deixamos este mundo de sofrimentos, tomamos um barco que nos leva diretamente à Terra Pura, atravessamos esta margem para a margem de lá, que é a representação do nosso rito de hoje. Portanto, o rito fúnebre é o momento que temos para ir nos despedir do familiar, do amigo ou conhecido que parte para uma longa viagem, a derradeira viagem para a Terra Pura. É o último adeus que damos nesta terra impura, neste mundo, pois aqui, não nos encontraremos mais. É como ir nos despedir no porto - como os imigrantes fizeram antes de partir para o Brasil - de nossos parentes queridos, pais, filhos, netos que partem para a Terra Pura. E se esses mesmos entes queridos estivessem partindo e nos esperando no porto para as últimas despedidas e nós não aparecêssemos? Não seria triste? Essa é a representação, o simbolismo do rito fúnebre.

Nós aqui do templo, presenciamos um sem número de despedidas, como disse anteriormente, quanto mais envelhecemos mais pessoas nossas conhecidas, partem para a Terra Pura, há mais mortes do que nascimentos entre nós. Quando ocorre um falecimento na família, os que restaram sentem uma necessidade muito grande de ‘fazer algo pela pessoa falecida’. E assim chamam o monge para recitar os Sutras, oferecem incenso e juntam as mãos em gasshô. Esta é a maneira da família se despedir do familiar que faleceu. É a oportunidade de agradecer a vida dessa pessoa e seu esforço. Nos confortamos com a promessa de nos reencontrarmos em um mundo melhor.

Assim, a questão não é para quem ou por quem realizamos as cerimônias budistas. Tanto faz. Todos nós, um dia atravessaremos para a outra margem. Não sabemos quando. Uns vão antes, outros depois. Somos nós que nascemos, vivemos e morremos neste mundo Saha, no mundo Ilusório, desta margem. Nós, como seres humanos, do nascimento até a morte, estamos constantemente mudando. Hoje estamos bem com boa saúde, amanhã nos sentimos mal. Hoje somos jovens, amanhã envelhecemos. Hoje estamos felizes, amanhã infelizes. Hoje brigamos, amanhã fazemos as pazes. Conforme ainda a Carta da Ossada Branca, nossos rostos que pela manhã ostentam faces rosadas como a de um pêssego, ao entardecer, pode estar transformado em uma ossada branca.

O que não muda é o Buda. Amida é permanente e sua Sabedoria é infinita. Portanto, hoje podermos estar aqui reunidos, juntando nossas mãos, tudo é em função de nós, dos vivos e dos falecidos. Porque no centro de tudo está Amida. Quem nos chama é Amida. Nós pensamos que viemos hoje até aqui, realizamos esta cerimônia para, e em função das pessoas já falecidas, mas na verdade, esta é uma oportunidade dada a nós que tivemos as condições necessárias para que estejamos aqui e para que pudéssemos realizar este rito.

Fazer e nos ser permitido fazer são coisas diferentes. Quando dizemos que ‘fazemos’ algo, está contido a nossa capacidade de realizar, de poder fazer. Pensamos que: Eu é que posso, consigo. Eu é que vim ao templo. Eu é que realizei este rito. Então eu é que possibilito a ida do meu ente querido falecido para a Terra Pura. Os que não me são queridos, estes que vão para o inferno. Ou ainda, se eu fizer os ritos, ganho algo em troca, tenho vantagens, se não fizer terei azar, atrairei infelicidade ou eu e meus parentes cairemos no inferno, é só egoísmo manifestado. Já quando digo que ‘me é permitido, me é concedido realizar este rito’, são palavras do Buda. É o Buda afirmando sua presença.

Por fim, para os senhores que vieram e participaram desta cerimônia, só tenho palavras de gratidão. Mas para nós, fieis do Shinshû, a questão ‘não é para quem realizamos os ritos, ou quem se beneficia com as cerimônias’. Beneficiar-se de algo é um sentimento egoísta, que nos leva a pensar que se tenho vantagem, eu faço, se não tenho vantagem nenhuma e nem serei castigado, e meus parentes mortos não cairão no Inferno, então não há necessidade de se fazer nada.

Se mesmo assim, sentirem-se inquietos, gostaria que relessem as palavras do Ekô - Transferência de Méritos: “Que, através destes méritos/ Possamos beneficiar igualmente a todos/ Para que seja despertada a Mente Búdica de todos/ E para que possam ir-nascer na Terra da Paz e da Alegria.” Ou seja, os benefícios alcançam todos os cantos e todos os seres viventes, essa é a Graça do Buda Amida. Não somos nós que com nossas forças beneficiamos os outros, é pela Força de Amida, através do Nembutsu, que todos são beneficiados.

Voltando ao pensamento inicial daqueles que acham que não há necessidade de ritos fúnebres nem cerimônias, eles são levados a pensar desta maneira por acreditarem que não há nada depois da morte. A morte é o fim de tudo. Mas para nós fieis do Shinshû, acreditamos que morrer significa ir para a Terra Pura pela Graça do Buda Amida. Portanto do que pensar que somos nós que fazemos, na verdade é Amida quem nos proporciona, que nos permite realizar. Ao mesmo tempo que nós estamos aqui juntando nossas mãos em reverência, os nossos entes queridos já falecidos estão na Terra Pura, realizando o mesmo gesto de reverência, estamos todos juntos irmanados na Luz de Amida.

Muito obrigada pela presença e plena atenção. Gasshô




こんにちは。忙しいところに、2017年のアプカラナ南米本願寺の秋のお彼岸法要へようこそ。昨日は Acea (アプカラナ文化教育協会)のスキヤキ会でご苦労様でした。皆さん疲れていますはずですが、それでもわざわざお寺まで来られてどうもありがとうございます。

さて、もう秋の時期が近寄ってきましたね。夏は暑かったです。ようやく、これからは涼しくなってくるでしょう。今年こそ「どんな暑さも寒さもお彼岸まで」という諺を感じましたね。昨日まで暑かったが、今朝は急に涼しくなりました。

季節が変わると、私たちの気持ちも同じに変わってくるでしょう。



お彼岸について、この時期には先立った、亡くなられた方を中心する法要です。皆さんはもうご存知と思いますが、この娑婆世界から向こう岸のお浄土へ渡っていくことがお彼岸の表現です。

このお寺でもうお蔭様で17年間も生活してきましたので「あの人もいました、この人もいました」それぞれ思い出に残っています。みんな一人ひとりが人生を尽くして人生を終えて、寂しく別れていきます。これが、私たちの歩む道です。ここで、もう言いましたことがありますが、私たちは年を取っていくほど、死に別れる親戚や知り合いや友達の数が増えていきます。生まれてくるより、死んでいくほうが大勢ですね。

年が明けて、一月からお葬式お勤めさせました。そこで、一月と二月の葬儀で亡くなられた方にはまだ御両親がいました。お父さんとお母さんを残して亡くなられたということです。白骨の御文の中に「無常の風が吹くと、お年寄りでも若者でも、同じ、残された家族の方は吹き飛ばされるように死に別れていきます」。普通には子供らが親の葬式するのが「当たり前」だと思いますが、私たちの人生なんていつ終わるか知らずに、親が子供の葬式することもあります。親としてこんな耐えられない悲しさなんてございません。これが「無常」当たり前のこと、前もって決めても、自分の思うとおりになるということはありません。ということです。

こうして、今日のお彼岸法要に皆さんがお大切なお位牌さんを持ってこられて、こちらに飾られています。みんな亡くなられた方を思い出して、みなさんがお焼香されて、心こめて、手を合わせてお参りされました。

で、このごろ聞かれますのが、お葬式や今日のようなお彼岸法要にお参りするのは誰のためにしますか。と。皆さんと少し考えてみたいと思います。

現在の日本では葬式など必要ないという人がいます。しかし、死んでこの世からお浄土へ渡ることは船に乗って向こう岸にあるお浄土へ行くことが葬儀を表現されています。ですからお葬式とは私たちが亡くなれた方を港でお浄土へ行かれる親戚や友達を見送ることを表しています。この世ではもう会えない最後の別れです。ですから大切な親戚、親や子供や孫でもお浄土まで遠い旅を立つのに、だれも見送りにいかないことには大変寂しいことです。

こちらは、お寺のもので、お葬式は先ほど言いましたが、年を取ると生まれてくるより、死んでいく者が多いのです。とにかく、家族の中で誰かが亡くなると、残された者は、何か、亡くなられた人に何か「してあげたい」という思いになります。ここでお坊さんを呼んで、お経をあげて、お焼香して、手を合わすのです。これはこの世をたっていかれる方と最後のお別れです。ご苦労様でしたと言える機会です。私たちをなぐさめ、またよい世界で会いましょうというの約束ですね。

ですからお参りは誰のためにしますかとは、実は問題は「誰のためにか」ではありません。これはどっちでもいいんですよ。みんな誰でも向こう岸へ渡る時が来ます。先に行くか、後に行くかは知りません。この娑婆世界で生きて死んでいくのは、私たちです。人間は生まれてから死ぬまで変わっています。今日元気で明日具合悪い、今日は若い顔で、明日は年取った顔、今日は幸せ、明日は辛い、昨日はけんかして、明日は仲直り。御文のとおり、今朝は桃のような肌、夕方は白骨。

絶対変わらないのは仏さん。阿弥陀様です。ですから、こうして私たちが会えて、手を合わすのは全部、亡くなられた方も私たちのもためにもなります。なぜかと、中心は阿弥陀様がいますからです。私たちを呼びかけてるのは仏さまです。私たちはお寺まで足を運んで来て、亡くなられた方のためにお参りしているつもりです。と思いますが、実は「お参りさせています」なんですね。

「する」と「させる」に大きい違いがあります。「する」には「される」ということが含まれてあります。自分ができる、自分がお寺へ行く、自分がお参りする。と。私たちは普通思っています。ですから、自分の亡くなられた親戚や知り合いはお浄土。あの憎たらしいやつらは地獄へ。となってしまうんです。亡くなられた方へ供養やお参りすると自分がなにか得する、しないと罰当たる、不幸になる、自分も死んだものも地獄に落ちるとか。わがままばかりです。

だけど、「させる」というのは仏の言葉です。「お参りをさせていただいてます」のは自分の力は抜けています。ですからさせるのは阿弥陀様です。

最後に、お参りに来られた皆さんには心から感謝を申し上げますが、「お参りするのは誰のためになるのですか」の問題は信者として関係ないことです。「ためになる」というのは人間のわがままな心です。なにか得するなら、します、得しない罰も当たらない、亡くなった親戚が地獄に落ちないなら、する必要ない。となってしまいます。

それでも皆さんがなんか物足りない、はっきりしない気でしたら、お参りの最後にある「回向」を読んで下さい「願似史功徳 平等施一切 同発菩提心 往生安楽国」と。ですから、今日のお参りされた功徳は生きている一切、一切衆生へ届かれるようにと願われています。私たちが願っているのではなく、仏さまから願われています。私たちは念仏をとおして願われています。

または最初に言いました、お葬式する必要ないという考えにもどりますが、この「必要ない」というのは、死んでからなにもない、お終いという考えにつながっています。しかし、真宗門徒である私たちには、亡くなって、必ず阿弥陀様のお力でお浄土へ行かれる信心は「お参りする」ことより、「お参りさせる」ことをいただいています。私も亡くなられた方も同時にお参りさせられて、手を合わせていますのです。どちらも阿弥陀様から無限の光に照らされていますことです。



07/03/2017

A Recitação (Shômyô) no Budismo Shin, Ordem Otani 真宗大谷派の声明とは


Texto: Rev. Kôjun Sugao (Superior do Templo Kômyô-Ji, prefeitura de Kyôto)
Tradução e Notas: Sayuri Tyō Jun
Jornal Nagoya Gobô – vol. 607, fevereiro de 2017, p. 03

     Não se trata apenas de um item de ornamentação do Altar, tanto a voz na recitação dos Ritos, assim como o coração daqueles que realizam os serviços litúrgicos, tudo isso é a representação da herança ininterrupta do Nembutsu que nós herdamos.

As origens da recitação da Ordem Otani

     Sobre a Ação de Graças (Hô On Kô), o Mestre Kaku-Nyô [1] escreveu em sua obra Gaijashô [2]:

“O que é essencial para estabelecer a linhagem, no entanto, é estabelecer o momento da convicção em que se obteve o ‘Shingyô’ [3] -  a Fé do Outro Poder para o Nascimento na Terra Pura. Como também para demonstrar a relação respeitosa entre o mestre e o discípulo e para expressar até exaurir-se toda nossa gratidão à benevolência do Buda.” (Seiten – p. 677)

     Os Ritos de Hô On kô (Ação de Graças em Memória do Mestre Shinran) exprimem a nossa gratidão a começar, ao Mestre Shinran e todos os demais Mestres que sucederam a tradição, ou seja, a ação de graças é o oferecimento de nossa gratidão à benevolência do Buda. Na nossa matriz Higashi Honganji, em Kyôto, todos os anos é celebrado durante 8 dias, os Ritos de Hô On Kô, é a herança do Nembutsu, a qual todos nós sucedemos.
     O Mestre Shinran foi criado dentro da Escola Tendai, recebeu a doutrinação do Mestre Jien [4] e herdou a liturgia da Escola Tendai. O sistema litúrgico budista do Japão foi estabelecido após o retorno dos Mestres Saichô [5], Kûkai [6] e Ennin [7] do país de Tang na China no período compreendido entre 804 a 838.  Devido aos esforços destes mestres, estabeleceu-se a liturgia como ofício.
     Historicamente, a Liturgia da Escola Tendai foi estabelecida pelo Mestre Jikaku Daishi (Ennin). No início a liturgia era passada por transmissão oral, mas cerca de 200 anos após Ennin, o Mestre Ryônin (1073-1132) foi quem codificou e definiu os símbolos e marcações das partituras litúrgicas. Nessa época se estabeleceram os chamados Doutores em Liturgia (Fushi-Hakase [8]) que definiram a melodia e entonação das recitações. 
     Logo depois, os Mestres Hônen e Shinran herdaram a Liturgia da Escola Tendai.
Na Escola Jôdo Shinshû, foi o Mestre Rennyo quem formalizou os ofícios, mantendo as fórmulas consagradas anteriormente, acrescentando ainda a recitação do Shoshingê, o Nembutsu e os 3 volumes de Wasan. Essa sistematização da liturgia foi promulgada em março de 1474 (Regulamentos sobre a Ritualística do Honganji). Depois, a Escola Shinshû, na época do mandato do 12º Grão Mestre, Kyônyo Shônin, foi dividida em Nishi e Higashi Honganji. Após a separação, a Ordem Otani passou a transmitir os usos e costumes determinados pelo Mestre Rennyo, enquanto o Honganji-ha (Nishi Honganji) na época do 14º Grão Mestre, Jakunyo Shônin, adotou um sistema próprio de liturgia num estilo mais parecido com o dos Mestres da Escola Tendai.

Os sons das cinco notas musicais harmonizam-se naturalmente com todos os sons.

     Para a nossa Escola Shinshû Otani-ha, a ritualística se presta a reverenciar o Buda e os Mestres, a recitar os fundamentos da doutrina e os ensinamentos do Buda Shakyamuni e louvar de todo coração as Graças recebidas do Buda Amida. Ou seja, a execução da cerimônia, origina-se na Doutrina, ocorrendo dentro do conjunto de ornamentos do altar. Os ornamentos referem-se aos “Ornamentos da Terra Pura”, que são a manifestação da própria Doutrina. Tanto os ritos e cerimônias como a recitação e a etiqueta litúrgica, têm que estar em conformidade com a lógica e a razão.
     Dentro dos Wasan do Mestre Shinran, encontramos o seguinte:
“Quando a pura brisa sopra entre as árvores de joias, produzindo os sons das cinco notas musicais, cada um se harmoniza naturalmente com os outros. Reverenciemos Amida que é o Puro e Meritório Ser.”
(Shinshû Seiten p. 482)
     Sopra um vento puro dentro da imensa e imensurável floresta da Terra Pura, neste momento, o som do farfalhar das folhas de tantas árvores, o canto dos pássaros, nós recebemos todos estes sons como sendo a voz do Buda. E esse som naturalmente puro, revela-nos o mundo da harmonia. Ou seja, é a voz límpida do Buda, que de um lugar que ultrapassa nossos corações desarmônicos, nos unifica harmonicamente, e este mundo é onde todos os sons se harmonizam naturalmente. 

Todos os Ornamentos do Altar proferem o Dharma
  
     Nas palavras do Rev. Daiei Kaneko: “Quando os objetos se movimentam, provocam sons, mas o movimento do coração também causa sons”. Quem ler estas palavras sem conhecer o coração contido nos Wasan ou o esforço do Mestre Shinran em compô-las, estas não surtem nenhum efeito em quem as escuta. Rev. Kaneko ainda nos indica que para o Shômyô (recitação) existem 8 tipos de sons. O volume dois do Grande Sutra da Vida Imensurável cita as 8 sonoridades maravilhosas que ecoam e se expandem (Seiten p. 48). Para estes 8 sons, existem 12 peculiaridades, que são: pureza, causar boa sensação aos ouvidos, aliviar o coração, ser adorável, suave, fascinante, confortante, não contrariar os ouvidos, ser extraordinariamente sossegado, provocar o vazio absoluto, profundo e fácil de ouvir. Essas são as características dos 8 sons. São chamadas de Voz Límpida ou ainda de Bon-on [9].
     Isso tudo é a Voz do Buda. O Rev. Kaneko reagia de forma muito estimulante a este assunto, dizia que seria tão bom se realmente tal voz pudesse ser emitida.
     Dentro das considerações sobre o Shômyô (Śabda-vidyā) do Buda Shakyamuni [10], tanto aquele que recita como aquele que ouve a recitação, juntos enriquecem o corpo e a mente. Esta é a virtude chamada de voz humana, penso que é a virtude com que se deve entoar a recitação. A recitação é um ornamento fundamentado na Doutrina, ela e os estudos não são coisas distintas, são inseparáveis. Gostaria que a recitação fosse realizada levando-se em conta tudo isso.
     Existe uma frase do Rev. Kensho Seo que diz: “Todos os Ornamentos do Altar proferem o Dharma” (Revista Dôbô Bukkyô, n. 318). Não só os ornamentos, mas também a voz nos serviços litúrgicos, assim como o coração daqueles que servem nos ritos, todos juntos sucederam em herança ininterrupta, o Nembutsu. Tocados por esses aspectos da forma, a voz e os movimentos, abre-se diante de nossos olhos o Mundo Imensurável do Tathagata, surge a lembrança do Gyakushin [11] “A Fé recebida através do Voto Original de Amida”. Deste modo, a ritualística, como os ornamentos do altar, assim como a recitação, são unos, tornam-se unificados.  É desejável que o serviço litúrgico seja realizado normalmente sempre com o coração voltado para a expressão “Todos os Ornamentos do Altar proferem o Dharma”.
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Notas da tradutora:
[1] 覚如上人 Kaku-Nyo Shônin (1271-1351), bisneto do Mestre Shinran.

[2] 改邪鈔 Gaijashô – Tratado sobre a Reconsideração do Mau. Escrito 6 anos após o Kudenshô.

[3] 心行Shingyô – Refere-se ao 安心 Anjin (firme estabelecimento da correta obtenção da Verdadeira Fé - Shinjin) e 起行 Kigyô (realização da prática correta do Nembutsu).

[4] 慈円僧正 Jien Sôjô: 1155 – 1225. Escreveu o tratado 愚管 (Gukanshô). Mestre Shinran, aos 9 anos de idade (1181), recebeu a Ordenação através do Mestre Jien.

[5] 最澄 Saichô: Mestre Dengyô Daishi, fundador da Escola Tendai do Japão. 767-822.

[6] 空海 Kûkai: Mestre Kôbô Daishi, fundador da Escola Shingon. 774-835.

[7] 円仁 Ennin: Terceiro Grão-Mestre da Escola Tendai, também chamado Jikaku Daishi. 794-864.

[8] 節博士 Fushi-Hakase: Os primeiros registros sobre doutores acadêmicos constam no Nihon Shôki, indicando estudiosos da península coreana da antiga região de Kudara (Baekje), que transmitiram os preceitos dos 5 Livros Clássicos do Confucionismo (Clássico de Política, Clássico de Poesia, Livro dos Ritos, Anais da Primavera e Outono e o Livro das Mutações). No Budismo, a recitação é considerada uma categoria da música, e a partitura das recitações é chamada de Hakase, assim como as marcações de pontos e traços das escalas tonais melódicas das recitações. O Goin-hakase 五音博 são as notações da tonalidade da escala pentatônica clássica: (kyû), (shô), (kaku), (ti) e (u). E o chamado Meyasu-hakase 目安博 que são as notações melódicas. Os estudiosos que emitiam e transmitiam corretamente as recitações pentatônicas, passaram a ser modelos e chamados de doutores. Segundo o Clássico de Poesia, o som tem o poder de tranquilizar, alegrar e harmonizar. A música tanto pode alegrar quanto entristecer. A música alegre harmoniza o reino e a música triste arruína o reino. Para o Budismo, a vocalização pura e elegante dos Ensinamentos contidos nos Sutras, a recitação bela e harmoniosa dos Wasan, permite a abertura de um mundo de sintonia entre o Buda e nós. E ainda, de acordo com os Sutras, a Terra Pura é permeada constantemente de música maravilhosa. (Fonte: site da Universidade Otani)

[9] 梵音 Bon-on: A Voz do Buda ou de Brahma. Hinos entoados nas cerimônias com Sange 散華 (lançamento de pétalas de flores de lótus). Recitação de Sutras. Música budista. Pronúncia e transliteração do sânscrito para o japonês.

[10] 声明 Shômyô: Um dos 5 ramos do Gomyô 五明 da ciência indiana: 1) Shômyô 声明, linguística, gramática, palavra; 2) Immyô 因明 lógica; 3) Naimyô 内明 estudos internos; 4) Ihômyô 医方明 medicina; 5) Kugyômyô 工巧明 artes e matemática.

[11] 獲信 Gyakushin: A Fé Recebida (Shôshinge – Gongyô-Shu p.33)


Honzan - Ritos de Hô On Kô 2016
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真宗大谷派の声明とは

菅生考純氏(すがおこうじゅん) 京都府・光明寺住職

名古屋御坊 2017年2月 607号

荘厳だけではなく、お勤めされる声も、お給仕をされる方の心も、全てが脈々と続いたお念仏の相読であります。

大谷派の声明の源流

     まず報恩講ということにつきましては、覚如上人の『改邪鈔(がいじゃしょう)』に
血脈をたつる肝要(かんよう)は、往生浄土の他力の心行(しんぎょう)を獲得(ぎゃくとく)する時節を治定(じじょう)せしめて、かつは師資(しし)の礼(れい)をしらしめ、かつは仏恩を報尽(ほうじん)せんがためなり 

『真宗聖典』六七七頁

とあり、親鸞聖人をはじめ諸師への恩、すなわち仏恩を報ずるのが報恩講であると述べられております。東本願寺におきましては、七昼八日間の報恩講の法要が毎年勤められており、お念仏の相続がされております。
     親鸞聖人は天台に育ち、慈円僧正(じえんそうじょう)の教化を受けられて天台声明を継承されております。日本の声明は、最澄、空海、円仁(えんにん)といった方々が、唐より帰国(804~838)した後、大いに声明に尽力され声明業の職を定められました。
     天台声明につきましては、慈覚大師円仁に始まるとされております。当初は口伝で継承されてきましたが、円仁から二00年ほどのちに良忍(1073~1132)が出されて、節博士(ふしはかせ)、小博士、目安博士と称して節符(せっぷ)を符(つ)けられたのであります。その後、法然上人や親鸞聖人が天台声明を継承されました。
     浄土真宗においては、蓮如上人が、蓮如上人以前の勤行の形を残しながら「正信偈」に「念仏」「三帖和讃」を加えた四帖として開板され、勤行式を一四七四年三月に制定されました(『本願寺作法之次第』)。その後、真宗教団は第十二世教如(きょうにょ)上人の頃に東西本願寺に分派し、分派後大谷派は蓮如上人以来の故実(こじつ)を伝え、本願寺派は第十四世寂如(じゃくにょ)上人の時に、天台の声明師により独自の声明を別立されました。

宮商和して自然なり
  
     真宗大谷派において法要式は仏祖を礼拝し、所依の聖教を読誦し、仏恩を讃嘆して報恩の誠を尽くす儀式であります。即ち、儀式の執行は教義に基づいた荘厳の中でなされるものでありますが、荘厳とは「浄土の荘厳」という言葉が示す通り、教義そのものであります。その儀式は、声明にしても作法にしても、理にかなったものでなければなりません
親鸞聖人の御和讃の中に

            清風宝樹(しょうふうほうじゅ)をふくときは

            いつつの音声(おんじょう)いだしつつ

            宮商和(きゅうしょうわ)して自然(じねん)なり

            清浄勲(しょうじょうくん)を礼すべし

            (真宗聖典四八二頁)
とあります。図り知れないくらい広大な浄土の林の中を清い風が吹き抜け、その時のいろいろな木々のふれあいの音や、鳥たちの声、そいった音そのものを仏の声としていただくのです。自然の澄み切った音が「和」という世界を示してくださるのです。即ち清徹(しょうてつ)の声、仏の声が、和合しない我々の心を超えたところで一つに和合する、その世界が「宮商和して自然なり」なのです。

一切荘厳皆説法 
     
金子大榮先生のお言葉に、「物が動けば音がするが、心が動いても音がする」とあります。御和讃のこころや聖人の御苦労を知らないでそれを詠んでも、聞いている人には伝わりません。金子先生はまた、声明には八つの音があると指摘されています。『大無量寿経』下巻に「八音暢妙響(はっとんちょうみょうこう)(『真宗聖典』四八頁)とありますが、この八つの音には十二の特徴があります。それは、清らかであり、耳に心地よく、心を癒す。愛らしく、甘美であり、魅力的であり、気持ちよく、耳に逆らわない。不思議なほど静かで、無心であって、深みを帯び、聞き取りやすい、こういった音であります。この声を清徹の声と呼び、また梵音(ぼんおん)とも呼びます。
     これは仏の声であります。金子先生はこれを非常に官能的に受け止めておられまして、実際にそういった声が出たらよいのにとおっしゃっています。釈尊の声明論の中に、声明を唱えているものも聴聞しているものも、共に心身豊かになると示されております。この徳が音声(おんじょう)であり、この音声をもって声明が唱えられればと思います。声明は教義に基づいたお荘厳であり、声明と教学は別々のものではなく一体不離のものであります。そういう思いでお声明をしていただければと思います。
     「一切荘厳皆説法(いっさいしょうごんかいせっぽう)」という言葉がございます。(瀬尾顕證『同朋仏教』第三十八号)。荘厳だけでなく、お勤めされる声も、お給仕をされる方の心も、全てが脈々と続いたお念仏の相続であります。その姿、声、動きに触れることで、図り知れない如来の世界が現前し、獲信の思いが出てくる、それこそが儀式も荘厳も声明もすべて一つのものであります。「一切荘厳皆説法」を常に心して、お勤めを致したいものであります。
Honzan - Ritos de Hô On Kô 2016