20/04/2016

第6話 自力のかたち - 他力によって照らし出されるもの Os Aspectos do Jiriki: Esclarecendo os aspectos do Tariki (Outro Poder - O Poder do Voto Original do Buda Amida), a partir da compreensão do Jiriki (Auto Poder) – Parte 6 (Final)


 
Rev. Futoshi Takehashi - Shaku Kôshû (Vice-Superior do Templo Hôen-ji Hokkaido Japão)
Abril de 2006
Tradução: Rev.ª Sayuri Tyō Jun

Bom dia.
Até agora, ao longo de 5 encontros, vim discorrendo sobre os aspectos do Jiriki (自力 Auto Poder), ou seja, como somos rompidos ao meio por nossa mente discriminativa.
Atualmente, nas nossas vidas, nosso maior interesse concentra-se em como somos vistos pelas outras pessoas. Será que não é daí que nascem as inevitáveis comparações que fazemos entre nós mesmos e os outros?

Mesmo que superficialmente, desejamos ser vistos como boas pessoas e em decorrência da nossa mente discriminativa, acabamos por fragmentar nosso mundo e a nós mesmos. E além disso, cansados dessa condição, vivemos sufocando a nossa sensibilidade. Por demais desesperançados, passamos a não acreditar em mais nada. Porém, o Budismo nos ensina que mesmo esse “eu” que afirma que em nada crê, na verdade ainda crê em si próprio. Penso que a isso podemos chamar de manifestação do nascimento-e-morte aqui e agora em nós.

Hoje, eu gostaria de falar sobre o “Caminho que nos permite sair do nascimento-e-morte”, ou seja o “Caminho para deixar o nascimento-e-morte” ensinado pelo Mestre Hônen ao Mestre Shinran.
Primeiramente, o caminho para deixar o nascimento-e-morte pregado pelo Buda Shakyamuni é chamado de 中道 Chûdô ou Caminho do Meio, que escreve-se com os caracteres Kanji, de meio (centro) e caminho (estrada). O Caminho do Meio, como um caminho de prática budista é pregado como uma realização da prática que não prioriza apenas o ascetismo e nem apenas a satisfação dos prazeres, um em detrimento do outro.
Nós comumente pensamos que não devemos nos entregar totalmente às delícias da vida prazerosa, que temos que nos esforçar em práticas ascéticas e que realizar o bem é que fazem o caminho correto.

Todavia, Buda Shakyamuni, inequivocamente foi aquele que abandonou o ascetismo e iluminou-se. Em verdade, distinguir o ascetismo da satisfação dos prazeres é a mesma condição de se contrapor velhice e juventude, doença e saúde ou vida e morte. Afastarmo-nos desses padrões como ascese em contraposição ao prazer, ou seja, afastarmo-nos de nossos critérios discriminatórios é que compõem o Caminho do Meio.
O que o Caminho do Meio nos aponta é que não importa o quanto prolonguemos nossos padrões de juízos de valores, ou seja, de acordo com nosso Jiriki (Auto Poder), ou ainda em outras palavras, independente de como eu pense comigo mesmo ou como eu me autocensure – nessas condições, não há nenhum caminho possível.

Neste sentido, compreenderemos que o significado do Caminho do Meio é o de ser o ensinamento que nos compele a nos afastarmos do Jiriki, da qual vim analisando até agora. De acordo com o Mestre Shinran, trata-se da conexão do Despertar para o fato de sermos todos maus, de que todos somos “Akunin”(悪人). O nosso aspecto como sendo aquele que não consegue postar-se no Caminho do Meio, configura-se como sendo nossa própria imagem iluminada pelo Tariki(他力), ou seja o Caminho do Meio que possui em si a Força da Verdade.

O correto seria afastarmo-nos do Jiriki, mas não é possível nos afastarmos. E quando nos perguntamos o que devemos fazer? Supostamente é aqui que se encontra a resposta e também é por isso que surgem a desesperança e a raiva. E isso também é a manifestação de nossa consciência discriminativa. De acordo com o que o Mestre Shinran falou, não é assim que desperta-se para o fato de sermos maus, “Akunin”. A estrutura geral do “próprio eu” como consciência discriminatória é o pressuposto do Akunin - o mau. Ou seja, é a reconciliação de mim mesmo com o “Akunin” o mau, que também sou eu mesmo. E no instante seguinte novamente, cai-se na estrutura da consciência discriminativa. E sendo tocados pela profundidade de nossa própria ilusão, conseguimos descer cada vez mais fundo. Este é o Caminho para se sair do nascimento-e-morte, ou seja, é o ensinamento do Nembutsu. Não é por recitarmos o Nembutsu que nos tornamos pessoas boas, pelo contrário, nos tornamos seres profanos, nos tornamos “Akunin”.

Esta é a chamada Salvação do Shinshû. A salvação que tão somente nos faz tomar conhecimento da própria delusão, fazendo-nos deparar com a Verdade. Não é tornar a si mesmo a Verdade. Ou seja, é trabalho do Tariki (Outro Poder), nos fazer perceber que vivemos conforme nosso Jiriki, que isso é a mente discriminatória, é a Força que nos sentencia: Você é um Bonbu, um Akunin.

Penso que assim podemos receber como palavras que expressam-se como o verdadeiro Ensinamento do Nembutsu, o tema do “Goenki” – Comemorações dos 750 Anos de Passamento do Mestre Shinran: "Agora a Vida Vive Você". Trata-se do trabalho do Buda Amida, ou seja do Tariki, da Força do Voto Original trabalhando agora, neste instante, nos chamando de seres iludidos, vivendo você.

Para nos mostrar que nossa vida é sofrimento e ilusão, para nos mostrar que não somos capazes de perceber isso, é que o Tariki está trabalhando aqui e agora, dentro de nossos corações repletos de inseguranças obscuras e sombrias.

Porém, não é por eu existir que eu recebo essa Força. Porque nós, como somos, existimos sobre a trama de uma rede de relações. Portanto essa Força, também é por sua vez, a minha essência. Por isso agora, eu estar aqui, é um fato sagrado.
Isto é, absolutamente não é necessária nenhuma condição exterior. 



第6話 自力のかたち - 他力によって照らし出されるも
竹橋 太師 - 釈孝修(北海道教区 法圓寺副住職)


おはようございます。これまで5回にわたって、「自力のかたち」ということで、私たちの分別のありかた、つまり引き裂かれた私たち自身の有り方について、 お話ししてきました。現代に生きる私たちの最大の関心事は、「人からどう見られているか」、また、そこから生じる「自分と人との比較」ではないでしょう か。
少しでも善い者に見られたい、そういう自らの分別心によって、自らや世界を切り刻んで生きてしまっています。またそれに疲れて、感受性を押し殺して生きる。さらに、絶望して何も信じられないという状態になる。しかし、それすらも何も信じられないと言っている自分自身を信じていることだと仏教は教えま す。それらを「いまの私たちにとっての生死のあり方」と言っていいと思います。
今日はその「生死を出ることのできる道」、つまり親鸞さまが、法然さまにいただいた「生死いづべき道」について、お話したいと思います。まず、お釈迦さま の説かれた生死いづべき道とは「中道」、中の道と書きますが中道と呼ばれるものです。これは仏道修行において、苦行でもなく、快楽にふけるのでもないとい う形で説かれた実践の道です。私たちは普通、快楽にふけることがだめで、苦行、がんばること、良いことをするのが正しい道であると考えています。
しかしお 釈迦さまは、間違いなく、苦行を捨てられて、覚った方です。この苦行と快楽ということは、実は「老いと若さ」「病と健康」「死と生存」というものさしと同 じ有り方をしています。「苦行と快楽」という物差しを離れる、分別を離れると言うことが中道の内容なのです。自己の物差しの延長、つまり自力においては、 言い換えれば自分の中でどう思おうが、どう反省しようが、そこに道はないというのが中道の指し示すものです。
そういう意味では中道と言うのは、今まで述べてきた自力、それを離れよと言う意味をもった教えであることがわかります。親鸞さまにとっては、悪人の自覚に つながります。その中道にどうしても立つことができない姿が、中道、つまり真実の持つ力、即ち他力によって照らし出されるみずからの姿だからです。
自力を 離れることが正しいけれども、離れられない、どうしたらいいのだろうという時には、そこにはその答えが想定されてしまっているのです。だから失望や怒りも あるのです。それもやはり分別です。親鸞さまのおっしゃる悪人の自覚は、そうではないのです。分別としての自分自身の構造全体が「悪人」と言い当てられて いるのです。つまり悪人として自分自身と和解するのです。
そして次の瞬間には、またそのことが分別の構造に落ちてゆきます。そういう自分の迷いの深さに触 れながら、どんどんそのそこに降りてゆくことができるようになるのです。それが「生死いづべき道」つまりお念仏の教えなのです。お念仏をして善い者になる のではありません。凡夫となり、悪人となるのです。それが真宗の救いなのです。真実に出会って自分の虚妄性が知らされるだけであって、みずから真実になる のではありません。つまり他力とは、あなたが生きているのは自力によっている、それは分別である、あなたは凡夫であり悪人であると名づける力、はたらきな のです。
「今、いのちがあなたを生きている」というテーマは、こういうお念仏の教えそのものを表現した言葉として受け取ることができると思います。阿弥陀さまのは たらき、つまり他力、本願力が、今はたらいて、迷えるものよ、と呼びかけながら、あなたを生きているのです。
私たちに、私たちの人生は苦であり、迷いであ ることを示すために、それに気づかない私たちの中で、漠然とした不安や、晴れない心として、今、ここで、はたらいているのです。
しかし、私がいて、その力 を受け取るのではないのです。私そのものが関係の網の目の上に存在しているからです。ですから、その力はまた私の内容でもあるのです。だから、今、私がこ こにいる、ということが尊いのです。条件は一切要らないのです

11/04/2016

第5話 自力のかたち 生死2 Os Aspectos do Jiriki: Nascimento-e-morte 2 - parte 5



Rev. Futoshi Takehashi - Shaku Kôshû (Vice-Superior do Templo Hôen-ji Hokkaido Japão)
Tradução: Revª. Sayuri Tyō Jun
(Abril-2006)

Originalmente série de palestras radiofônicas do site oficial do Honzan

Bom dia.
Na palestra anterior, falei sobre a proposição tanto do Buda Shakyamuni quanto do Mestre Shinran, que é: "Um Caminho para se sair do nascimento-e-morte". A palavra para nascimento-e-morte - Shôji" 生死em japonês escreve-se com os Kanji nascer (viver, brotar) e morrer. Porém, a questão aqui é o porquê do nascimento-e-morte equivaler ao sofrimento e também de que maneira ele se forma. Além de outro ponto importante a respeito da atual concepção de vida e morte em que "tudo acaba com a morte", e como esta visão também é ilusória.

Na verdade, como disse há pouco, a causa está no fato de não conseguirmos aceitar a própria vida, observando de fora, na posição de críticos de si mesmos e da própria existência.
Também afirmei que esta é a própria condição de se ser humano.
Contrapondo-se ao ‘eu’ fadado a morrer, existe o ‘eu’ que não aceita a própria morte, que não consegue aceitar a própria vida que já contêm em si a morte.
E assim, desejando nos salvar desta condição, queremos adiar a morte ou estender ao máximo a vida para o futuro, dando início ao pensamento de nascimento-e-morte - Samsara. Ou seja, é o pensamento de reencarnar depois da morte. Essa é a forma do ‘eu’ odiar o próprio ‘eu’ que inevitavelmente morrerá. Trata-se de um esforço em vão do ‘eu’ que vê sua própria condição e procura conservar sua existência de alguma maneira. Mas este pensamento, dependendo do sentido, poderia trazer em si, uma parte da salvação.

Entretanto, surge deste ponto a questão de como se obter uma boa reencarnação.  O nascimento-e-morte - Samsara que antes eram os meios, acabam tornando-se o objetivo. Ou seja, surge o pensamento de que a conduta durante a vida neste mundo é que definirá as circunstâncias da outra vida. É o pensamento de que aqueles que realizaram boas ações, nascerão em boas circunstâncias. Aqui neste ponto, podemos sentir a escuridão do ser humano indubitavelmente desejoso de recompensações. Desta forma, enquanto vivos, será que existirá alguém que não cometa o mal? Se colocarmos a mão no nosso peito e pensarmos, nós saberemos a resposta.
Assim com o Samsara como objetivo, inicia-se um modo de vida atado ao próprio Samsara.

O nascimento-e-morte - Samsara como maneira de aceitar a própria existência, tem mais um direcionamento. Como descrevi há pouco, uma das direções é voltada para o futuro. E a outra direção é a que leva a regressar ao passado, a fim de aceitar as circunstâncias do presente. Isso torna-se Fatalismo, também é chamado de Shivaísmo, e Shiva é um deus onipotente.  Ainda também é reconhecido como uma das teorias equivocadas sobre a influência do Karma na próxima vida, a chamada doutrina herética Pûrvakrta-hetu.

Nota da tradutora: Sobre Pûrvakrta-hetu, em japonês Shukusain Gedô 宿作因外道, em correspondência pessoal com o autor, ele faz as seguintes colocações:
As 3 Teorias Heréticas são: 1) 自在天外道 (Jizai-ten Gedô) Isvaranirmana-hetu. Teoria que concentra os deuses hinduístas, Ishvara (como o Senhor e Supremo Controlador) e a salvação num conceito só. Deus, especificamente Shiva é quem determina tudo, ou seja o destino é determinado por outrem, no caso, por um Deus.
2) 宿作因外道 (Shukusain Gedô) Purvakrta-hetu.
Significa que o condicionamento kármico é o próprio passado. Ou seja, os fatos que ocorreram na vida passada é que determinam os acontecimentos do presente e do futuro. Você mesmo é a causa, a origem. Trata-se do conceito da Teoria do Fatalismo (concepção de que o mundo e todos os acontecimentos são predeterminados e irrevogáveis, não podendo ser controlados ou influenciados pela vontade humana).
3) 無因無縁説 (Muin Muen Setsu) Ahetu-apratyaya. Tudo é casualidade, acidental.
Considerando-se as circunstâncias do próprio presente e passado, pressupondo o eu e o outro substancialmente: Teoria 1=dependência do outro; Teoria 2=dependência em si mesmo; Teoria 3=nem o eu nem o outro são causas.  
Referências: Anguttara Nikaya 3-Sutra 61 (Anexo 1)
Samyutta Nikaya 12-Sutra 18 (Anexo 2)

Também se diz que o Pûrvakrta-hetu é uma visão incorreta da teoria do Karma de vidas passadas como originador do Karma atual.
O indivíduo aceita sua condição atual, atribuindo tudo às decisões de um deus ou pelos acontecimentos do passado. A vida humana, necessariamente não ocorre como pensamos que deveria ser. Há uma variedade de diferenças.

Buscando razões na vida passada ou em um deus, procuramos de algum modo, aceitar a nós mesmos. Este modo de pensar, seja pelo bem ou pelo mal, está permanentemente próximo de nós. Queremos aceitar de alguma maneira as vidas que nos foram atribuídas. Porém, aqui percebemos o apego absurdo em relação à nossas próprias vidas, podemos perceber ainda, toda obscuridade do ser humano.

Volto a repetir: O problema aqui está em contemplar a própria vida toda do lado de fora, classificando tudo em bom e mau. O “eu” que observa, distancia-se do “eu” considerado inadequado por não ser como pensamos que deveria ser e o abandonamos. Esta é exatamente a estrutura do Jiriki, a estrutura discriminativa. Dentro disso tudo, podemos afirmar que seja uma vida passada, seja deus ou o próprio juízo de valores, tudo não passa de uma extensão do “eu que observa”. Pela ótica budista é a existência do “eu iludido” que acaba distanciando-se do “Não-Eu”.
Deste ponto é que se origina o nascimento-e-morte, nasce o Samsara. O mesmo vale para a concepção de que a morte é o fim de tudo: É não compreender que o “eu que observa” está dividido.

Somos levados a pensar sobre o mais profundo desespero apontado nesta nossa vida que é o conceito de uma vida limitada a uma única existência. Não compreendemos que cremos no “eu” que observa a vida de fora, mesmo apegando-se, mesmo que em desespero. Este “eu” amarrando-se em si mesmo é a configuração da discriminação, esta é a verdadeira identidade do Jiriki. O ser humano, a partir de sua própria estrutura não é capaz de capturar a totalidade da existência de si mesmo. O ser humano é rompido ao meio de acordo com sua mente discriminativa. Mesmo estando ciente de seu rompimento, não consegue permanecer no lugar e acaba postando-se sempre do lado do “eu que observa”. Para nós, resta-nos apenas o Jiriki. Acho que aqui encontra-se o verdadeiro significado de que somos todos maus, que somos todos “Akunin”.








Anexo 1
Anguttara Nikaya 3-Sutra 61

Neste Sutra intitulado "Sectários", o Buda dirige-se aos seus discípulos e prega sobre a existência de 3 tipos de associações sectárias de brâmanes e ascetas a qual o Buda refuta totalmente.
A primeira associação sectária afirma que toda experiência pessoal tem como causa as ações passadas. E neste caso, pode-se afirmar que é devido aos fatos passados que levam estas pessoas a cometer atos como "destruir vidas, tomar o que não é devido, satisfazer-se com atividades sexuais, dizer falsidades, proferir discursos separatistas, falar rudemente, regozijar-se com fala fútil, ser cheio de desejos, ter má vontade, mantendo o entendimento incorreto".
Mas o Buda refuta esta afirmação dizendo que se essas pessoas retrocederem às suas ações passadas considerando-as verdades essenciais, não existe nenhum desejo de fazer o que deve ser feito e evitar o que não deve ser feito, e nem fazer esforço nesse sentido, e uma vez que eles não apreenderam como verdadeiro e válido tudo o que deve ou não ser feito, permanecem em estado de confusão mental e não se resguardam. Sendo assim essas pessoas não poderiam legitimamente se auto designar "ascetas".

O segundo grupo inquirido pelo Buda afirma que toda experiência pessoal decorre da ação criativa de Deus. O Buda pergunta as ascetas e brâmanes que assim creem, se neste caso, qualquer que seja a experiência da pessoa, mas se ele cometer um assassinato pelo ato de criação de um ser superior... Mas quando essa pessoa retrocede ao ato criativo de Deus considerando-a uma verdade essencial, não existe desejo nem esforço (em pensamento) para fazer o que deve ser feito ou deixar de fazer o que não deve ser feito, conseguir sem distinguir a verdade e a realidade, permanece em estado de confusão mental e não se resguarda. Sendo assim essas pessoas não poderiam legitimamente se auto designar "ascetas".

O terceiro grupo sectário afirma que toda experiência pessoal, independentemente de sua experiência, não tem uma causa ou condição. O Buda refuta mais uma vez os membros do grupo sectário, afirmando que se estes considerando verdade essencial a ausência de causas e condições para a formação da experiência pessoal, retrocedendo às suas ações passadas, não existe nem desejo nem esforço... e não podem legitimamente designar-se "ascetas".
E diante do Dharma incontestável, imaculado, perfeito, sem críticas por ascetas e sábios brâmanes ensinado pelo Buda, os ascetas permanecem sem ação.
E qual seria esse Dharma? São os 6 Elementos, as 6 Bases de Contato, os 18 Exames Mentais e as 4 Nobres Verdades.
Os 6 Elementos são: terra, água, fogo, ar, espaço e consciência.
As 6 Bases de Contato são: olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e a mente.
Os 18 Exames Mentais: Vendo um forma através do olho, examina-se uma forma que pode atuar como base para a felicidade, para a infelicidade e a equanimidade.  Ouvindo um som com o ouvido... Cheirando um odor com o nariz... Sentindo o sabor com a língua... Tocando um objeto tátil com o corpo... Conscientizando-se com de um fenômeno mental com a mente, examina-se uma forma que pode atuar como base para a felicidade, para a infelicidade e a equanimidade.
As 4 Nobres Verdades: Em dependência aos 6 Elementos, estabelece-se um (futuro) embrião. Ocorrendo o estabelecimento, surge o nome-e-eforma; com o nome-e-forma como condição, surge as 6 Bases dos Sentidos; com as 6 Bases dos Sentidos como condição, surge o contato; com o contato como condição, surge a sensação. Para os que experimentam as senseções eu proclamo:  isso é sofrimento, e que essa é a origem do sofrimento, e essa é a cessação do sofrimento, e esse é o caminho  que conduz para a cessação do sofrimento.

E o que é a nobre verdade do sofrimento? O nascimento, o envelhecimento, a doença, a morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero são sofrimento. Não obter o que se deseja é sofrimento. Enfim, os 5 agregados sujeitos ao apego são sofrimento.

E qual a nobre verdade da origem do sofrimento?
Com a ignorância como condição, surgem as atividades volitivas.
Com as atividades volitivas como condição,  a consciência.
Com a consciência como condição, o nome-e-forma.
Com o nome-e-forma como condição, as seis bases dos sentidos.
Com as 6 bases dos sentidos, o contato.
Com o contato como condição, as sensações.
Com as sensações como condição,  o desejo.
Com o desejo como condição, o apego.
Com o apego como condição,  a existência.
Com a existência como condição, o nascimento.
Com o nascimento como condição, o envelhecimento e a morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero surgem. Essa é a origem de toda essa massa de sofrimento.

E qual a nobre verdade da cessação do sofrimento?
Com o desaparecimento e cessação da ignorância, cessam as atividades volitivas.
Com a cessação das atividades volitivas, cessa a consciência.
Com a cessação da consciência, cessa o nome-e-forma.
Com a cessação do nome-e-forma, cessam as 6 bases de contato.
Com a cessação das 6 bases de contato, cessa o contato.
Com a cessação do contato, cessa a sensação.
Com a cessação da sensação, cessa o desejo.
Com a cessação do desejo, cessa o apego.
Com a cessação do apego, cessa a existência.
Com a cessação da existência, cessa o nascimento.
Com a cessação do nascimento, cessam o envelhecimento e morte, sofrimento, lamentação, dor, tristeza e angústia. Essa é a cessação de toda essa massa de sofrimento.

E qual é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento?
É apenas a nobre Óctupla Senda: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.

(Referência bibliográfica: The Numerical Discourses of the Buddha - A translation of the Aṅguttara Nikāya by Bhikkhu Bodhi - Wisdon Publications - Boston - 2012 - p.266 a 270

Anexo 2
Samyutta Nikaya 12 Sutra 18
Sutra denominado "Timbaruka"

O seguinte diálogo ocorre em Savatthi (1) entre o Buda e o andarilho errante Timbaruka.
- Mestre Gotama, o prazer e a dor são criados pela própria pessoa?
- Não, Timbaruka. Respondeu O Abençoado.
- Então Mestre Gotama, o prazer e a dor são criados pelos outros?
- Não, Timbaruka. Respondeu O Abençoado.
- Então como é Mestre Gotama, o prazer e a dor ambos são criados pela própria pessoa e pelos outros?
- Não, Timbaruka. Respondeu O Abençoado.
- Então Mestre Gotama, o prazer e a dor surgem fortuitamente, criados nem por si nem por outro?
- Não, Timbaruka. Respondeu O Abençoado.
- Então Mestre Gotama, não existe nem prazer nem dor?
- Não é que não há prazer e dor, Timbaruka. O prazer e a dor existem.
- Então Mestre Gotama não conhece nem vê o prazer e a dor?
- Não é que eu não conheça nem veja o prazer e a dor, Timbaruka.  Eu conheço o prazer e a dor, eu vejo o prazer e a dor.
- Se lhe é perguntado: como é Mestre Gotama: o prazer e a dor são criados por nós mesmos? ou são criados pelos outros? ou são criados por ambos? ou não é criado por nenhum? em todos os casos respondes "Não Timbaruka".  Se lhe é perguntado se não existe nem prazer nem dor? respondes que existe prazer e dor. Se lhe é perguntado se não conheces nem vês o prazer e a dor, respondes que conheces e vês o prazer e a dor. 
Venerável Senhor, O Abençoado, explique-me sobre o prazer e a dor. Que O Abençoado me ensine sobre o prazer e a dor.
- Timbaruka, (se alguém pensa) que o sentimento e aquele que sente que são os mesmos, (2) (então afirma) fazendo referência a alguém já existente desde o início: o prazer e a dor são criados por nós mesmos. Eu não falo assim. Mas Timbaruka, (se alguém pensa) que o sentimento é um, e o que sente é outro, (3) (então afirma) com referência a um acometido pelo sentimento: o prazer e a dor são criados pelos outros. Eu tampouco falo assim. Sem voltarmo-nos para qualquer um destes extremos, o Tathagata ensina o Dharma do meio: Com a ignorância como condição, surgem as atividades volitivas (vir a ser).
Com as atividades volitivas como condição, a consciência.
Com a consciência como condição, o nome-e-forma.
Com o nome-e-forma como condição, as seis bases dos sentidos.
Com as 6 bases dos sentidos, o contato.
Com o contato como condição, as sensações.
Com as sensações como condição,  o desejo.
Com o desejo como condição, o apego.
Com o apego como condição,  a existência.
Com a existência como condição, o nascimento.
Com o nascimento como condição, o envelhecimento e a morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero surgem. Tal a origem de toda essa massa de sofrimento.
Com o desaparecimento e cessação da ignorância, cessam as atividades volitivas.
Com a cessação das atividades volitivas, cessa a consciência.
Com a cessação da consciência, cessa o nome-e-forma.
Com a cessação do nome-e-forma, cessam as 6 bases de contato.
Com a cessação das 6 bases de contato, cessa o contato.
Com a cessação do contato, cessa a sensação.
Com a cessação da sensação, cessa o desejo.
Com a cessação do desejo, cessa o apego.
Com a cessação do apego, cessa a existência.
Com a cessação da existência, cessa o nascimento.
Com a cessação do nascimento, cessam o envelhecimento e morte, sofrimento, lamentação, dor, tristeza e angústia. Essa é a cessação de toda essa massa de sofrimento.
Quando isso foi dito, o asceta nu (4) Timbaruka disse para O Abençoado: Magnífico, Mestre Gotama! Mestre Gotama esclareceu o Dharma de várias formas, como se tivesse colocado em pé o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas.
Eu tomarei refúgio no Mestre Gotama, no Dharma e no Sangha. A partir de hoje Mestre Gotama irá se lembrar de mim como um discípulo leigo que tenha vindo buscar refúgio para a vida.

Nota 1: Sravasti, Índia
Nota 2: Idéia de Eternalismo Purvakrta-hetu: o condicionamento kármiko é determinado pelo passado.
Nota 3: Ahetu-Apratyaya: tudo é casualidade.
Nota 4: Provavelmente um jainista.


Referência: The Connected Discourses of the Buddha - A Translation of the Saṃyutta Nikāya by Bhikkhu Bodhi - Wisdon Publication - Boston - 2000 pp. 548-549

Detalhe da Roda da Vida


第5話 自力のかたち 生死2 [2006.4.]

竹橋 太(北海道教区 法圓寺副住職

おはようございます。前回はお釈迦さまの課題も、親鸞さまの課題も「生死出づべき道」である、ということをお話しました。生死とは生まれ死ぬと書きます。 ところで、そこで問題になるのは、なぜ、生死が苦であるのか、また、生死とはどのようにできているのかということ、もう一つは現代の私たちの「死んだら終 わり」という「生死観」も迷いであるということでした。

実はそれは先に述べたように、自分自身やその人生を、評論家のように外から眺めて、自分の人生を受け取れないということが、原因となっているのです。それ が人間であるということであるとも話しました。自分自身が死ぬということに対して、死ぬ自身を受け入れられない、死を持った自分の人生を受けとることがで きないのです。そうして、そこからの救いを求め、死を先送りし、生を未来に続けるために考え出されたのが生死・輪廻です。つまり死んでは生まれかわるとい う考え方なのです。それは自分で、死ぬ自分を嫌う有り方です。そうしてそれを見ている自分を何とか温存したいというむなしい努力なのです。しかし、その考 え方はある意味では、救いになっていた部分もあったでしょう。

ところが、今度は、よい輪廻をするということが問題になってくるのです。手段であった生死・輪廻が目的になってしまうのです。つまり、この世に生きている 間の行いが、次の世での境遇を決めるという考え方が現れてくるのです。善い行動をしたものがよい生まれになるという考え方です。そこには、必ず報いが欲し いという人間の暗さが感じられます。そうなると、生きている間に、悪を行わない人はいるでしょうか。胸に手を当てて考えてみたらわかります。そこで輪廻を 目的とした、輪廻に縛られる生き方が始まるのです。

自分の人生を受けとる方法としての生死・輪廻には、もう一つの方向があります。一つは今述べた未来への方向、もう一つは今の境遇(きょうぐ)を受け入れるための過去に 遡る(さかのぼる)方向です。それは運命論になります。それは自在天外道と呼ばれたり、自在天とは万能の神のことです、また、誤った宿業論である宿作因外道などとよばれ ています。「神様が決めてしまっているから」とか「過去の行いで決まってしまっているから」という形で、みずからの今のあり方を受け入れていくものです。 人生は必ずしも思うとおりになりません。さまざまな違いがあります。

その理由を過去の生涯や神様に求めて、何とか自分を納得させようとするのです。こうい う考え方は、手を変え品を変え、途切れることなく、いつも私たちのそばにあります。何とか自分の人生を受け入れたいのです。しかし、そこには自分の人生に 対する無理な執着が感じられますし、やはり人間の暗さが感じられてしまいます。

繰り返しますが、ここで問題なのは、すべて自分の人生を外から眺めて、善い悪いと言っているありかたです。見ている自分が、思うとおりにならない自分と分 かれて、それを見捨てているあり方です。まさに自力の構造、分別の構造です。その中で過去の生涯といっても神様といっても自分自身の価値観、つまり「見る 自分」の延長にしか過ぎません。それは仏教から言えば無我から離れた「迷いの我」が有るということです。そこから生死・輪廻が生まれるのです。死んだら終 わりというのも同じです。見る自分が分かれてしまっていることは、変わらないのです。

人生はこの生涯だけというのは、この人生へのより深い絶望が示されて いると考えることもできるでしょう。執着しても絶望しても、この人生を、外から眺めている自分を信じているということは変わらないのです。自分自身に自分 が縛られてゆく、これが分別であり自力の正体です。人間は、構造上、自分自身の存在全体を受け止めることができないのです。分別によって引き裂かれている のです。引き裂かれていることを知っても、そこにとどまりきれずに、常に見る自分の側に立ってしまう。私たちには自力しかない、悪人であるという言葉の意 味はここにあるのでしょう