06/05/2018

O Sentimento de 'Zannen'


Em japonês quando usamos a palavra ‘Zannen’ 残念, significa que lamentamos muito, expressamos um sentimento de lástima e pena. É formada por dois Kanji, o primeiro 残 (zan, nokoru, nokosu) significa restar, sobrar, permanecer, ficar, deixar, legar, continuar, manter. E o segundo Kanji (nen,) significa pensar, recordar, lembrar, sentimento, sensação, atenção, cuidado, anseio.

Quando lamentamos o falecimento de alguém e dizemos ‘Zannen’ afirmamos que a pessoa que se foi restará, permanecerá em nossos corações, ficará somente na nossa lembrança, e a sua memória continuará em nós como recordação. E passamos a lembrar dos entes queridos falecidos como aqueles que nos deixaram o legado de nos conscientizarmos de nossa própria finitude e que um dia, nós seremos também, uma lembrança do passado.

O Kanji “nen” também compõe a palavra Nembutsu 念仏, que neste raciocínio pode ser traduzido ao pé da letra como lembrar-se do Buda. Mas o Nembutsu é o Namu Amida Butsu, que significa reverenciar o Buda, tomar refúgio no Buda Amida. Portanto quando recitamos o Nembutsu com nosso corpo e coração unidos, expressamos em forma de reverência os nossos sentimentos e pensamentos voltados ao Buda e por extensão àqueles que foram renascer na sua Terra Pura.


Sayuri Tyō Jun - Trecho de Hôwa

Amida Nyorai - Gohonzon entronizado no Templo Apucarana Nambei Honganji

24/04/2018

Antes que morramos 死ぬ前に

   Por esses dias tivemos notícias de uma pessoa que não vemos há muitos anos. Trata-se de uma senhora já de idade e que se encontra muito adoecida. Imediatamente sobreveio a vontade ou necessidade de revê-la “antes que ela morra”. A princípio pode parecer uma atitude louvável, pois ir até ela agora “que está quase morrendo” é a última chance de poder agradecer-lhe os cuidados e a atenção que nos dispensou quando era mais jovem e manifestar nosso carinho e respeito, mas porque deixamos tudo para a última hora?
   Vejo muitas mensagens circulando nas redes que falam da necessidade de agradecer e rever as pessoas que nos são caras, enquanto estão vivas. Não deixar para o último momento o derradeiro reencontro. Mas nos limitamos a nos comover momentaneamente e replicar a mensagem, como se assim nos eximíssemos temporariamente da obrigação. 
   Portanto se quer mesmo demonstrar o quanto uma pessoa é importante, faça enquanto estamos todos vivos. Mande flores às pessoas vivas, pois depois de mortas elas não apreciarão as coroas de flores que enviamos no funeral (pois estarão embevecidos com a beleza incomparável das flores da Terra Pura). Sabemos que o conselho é válido, mas as atribulações diárias tomam tanto do nosso tempo e se mal damos conta de nós mesmos e das pessoas que estão ao nosso lado, quem consegue lembrar-se daqueles que estão mais distantes e que passaram por nossas vidas durante um período, mas depois nos distanciamos?
   Meu professor no Japão relatou-me um fato semelhante. Quando soube que um colega teve um diagnóstico de câncer, foi logo visita-lo. Formaram-se na mesma faculdade e não se viam há muito tempo, mesmo ambos morando em Kyôto. Como monges budistas, despediram-se afirmando que nada mais restava a não ser entregar-se nas mãos de Amida, confiando plenamente. Quando meu professor pensou em visitar o amigo novamente, foi surpreendido com a notícia do falecimento. E o último encontro só ocorreu nos ritos fúnebres do amigo.
   Tomamos consciência da nossa própria finitude através da morte de pessoas que conhecemos, pessoas que fazem parte do nosso dia a dia, pessoas que amamos. E nos solidarizamos com os que estão na iminência de partir e queremos rever, reencontrar, confortar. Mas queremos na verdade, é nos rever, nos reencontrar, nos confortar diante do inevitável caminho que cada um de nós percorrerá um dia. Queremos ser retribuídos quando chegar a nossa hora, assim como fomos ver os que estavam morrendo. No fundo não é altruísmo, é egoísmo, enfim, é ser humano. 
   Nós deveríamos pensar em rever as pessoas que consideramos, não “antes que morram”, mas sim reencontrá-las “antes que nós mesmos morramos”. Seria mais simples e eficiente, ou uma atitude “mais budista”.
Sayuri Tyō Jun

 
最近、昔からの知り合いで、大変お世話になりましたおばあちゃんからの通知が届きました。高齢でいつお浄土へお還りしますか分かりませんようです。お礼を申し、感謝を表しに、ご苦労様でしたというためにお会いしたいと思いました。私たちはそのおばあちゃんにお見舞いへ行くことに決定し、「いざ死ぬ前に会いに行くべき」と心で思いながら、口にしないばかりです。
しかし、大切な人なら何故会いに行かれないのでしょうか。日々の忙しさに巻き込まれて、「暇がありません」と。言い訳ばかりなんですが。

そんな大切なひとには、生きてるうちにその大切さを本人へはっきり表すために花束でも送りなさい。亡くなって、お葬式に供花の花輪は死者から喜ばないはずです。お浄土の華の美しさには比べられないでしょう。

日本の恩師から教えていただきましたことです。先生の大学時代の同級生のお友達がガンで亡くなりました。同じ京都にお住まいですが、長い間会えなかったのです。お見舞いに行かれて、「おまかせだね」とお互いのお別れの言葉でした。葬儀でしか最後のお会いできました。寂しいですね。

 私たちは他の死から自分自身の死に対面できます。死はほかのひとから教えてもらいます。大切のひとには是非亡くなる前に会いたいことです。しかし、慰めるより、自分を慰められる、自分を見直し、真の自分を発見するのが絶対人生の終える道を歩んでいることに気付かせるために会いにいきたいです。人間は死ぬ前に生き残るひとから報われたいのです。ですから、普段な「大切なひとが死ぬ前に会いにいく」表現より、「自分が生きてるうちに大切なひとに会いにいく」のが正しく、真宗門徒の生活にふさわしいのではないかと考えさせています。


釋尼澄純


22/04/2018

A Árvore do Budismo

Uma árvore não surge do nada. Ela já foi uma semente que encontrando as condições favoráveis para seu desenvolvimento, cresceu, fortaleceu-se, enraizou-se e expandiu seus galhos, lançando suas sementes através de seus frutos.
Assim também é com o Budismo, se almejamos que a árvore do Budismo cresça, floresça e frutifique, devemos plantar as sementes em solo fértil, regar e preservar. Talvez não sobrevivamos para ver seus frutos, mas não é para nós que devemos plantar a árvore. Entre a semente plantada no presente até a árvore do futuro existe um lapso de tempo que enquanto o presente não se tornar passado, a árvore não existe. E é neste espaço de tempo que temos que trabalhar e atuar protegendo a Doutrina.
Que possamos ensinar o correto Dharma agora, para que nossos filhos e netos possam desfrutar no futuro, de todas as benesses da árvore do Budismo. E assim possam dar continuidade ao Caminho, assim como nossos Mestres e predecessores fizeram.

Sayuri Tyō Jun
Foto: Sakura - Kyôto

「正師を得ざれば学ばざるに如かず。」道元禅師

「正師を得ざれば学ばざるに如かず。」道元禅師
“Ter um verdadeiro Mestre, equivale tão somente a aprender”. Dôgen Zenji (1200-1253)
Sem estudar sob orientação de um verdadeiro Mestre, é o mesmo que não estudar nada. São palavras do Mestre Dôgen que afirmava que a coisa mais importante na prática budista, é ter um Mestre orientador correto e bom. Em sua obra Gakudôyôshin-shû ele disse que é imprescindível buscar um Mestre verdadeiro, pois é difícil recuperar-se ao ser orientado incorretamente por um mau mestre. Um Mestre é um patrono de nossas vidas, devemos busca-lo com a mesma diligência que procuramos nossa verdadeira vocação na vida. Encontrar um verdadeiro Mestre, mesmo que decorrente de um único e rápido encontro proporcionado pelo En, é um tesouro para se levar durante a vida inteira e deve ser motivo de muita honra. Aqueles que almejam com o coração disposto a aprender junto a um Mestre verdadeiro, inevitavelmente encontrará seu Mestre a quem dedicará imenso e permanente respeito.

Sayuri Tyō Jun

25/01/2018

23-01-2018 Resumo da Transmissão do Dharma para o Tsuitô Hôyô do Mutsumi-kai - ACEA



Bom dia a todos, a pedidos, gostaria de resumir o que falei em japonês, para aqueles que não compreendem muito bem o idioma.

Hoje estamos aqui na primeira reunião do Mutsumi-kai deste ano novo de 2018. No ano passado tivemos muitas perdas entre nossos membros e foi-nos solicitado uma cerimônia em memória dos membros falecidos.

Esta cerimônia chama-se ‘Tsuitô-Hôyô’ 追悼法要 e gostaria de analisar com vocês o significado desta cerimônia. A palavra ‘Tsuitô’, é formada por dois Kanji, sendo que o primeiro significa expulsar, afastar. E o segundo significa condoer, lamentar a morte. Ou seja, seria algo como ‘Cerimônia para afastar a tristeza pelo luto, distanciarmo-nos da dor da perda de entes queridos falecidos’. Além do mais usamos a palavra Hôyô para designar a cerimônia, ou o rito budista. Normalmente em japonês usamos a palavra ‘Kuyô’ 供養 que significa ‘rezar para os mortos’. Não é uma palavra apropriada para nós fieis budistas que acreditamos que nossos entes queridos falecidos, foram renascer na Terra Pura do Buda Amida. Rezar para os mortos é o mesmo que acreditar que nós, seres humanos, temos a capacidade de apaziguar, acalmar os mortos, como se eles estivessem perdidos por aí como fantasmas, e precisassem de nossa ajuda para guia-los até a Terra Pura. E o que seria essa Terra Pura? Também é chamada de Terra Pura da Suprema Alegria, um lugar de paz onde não existem mais os sofrimentos do nascimento, envelhecimento, doença e morte. Não há nem mesmo a saudade, pois os que renasceram na Terra Pura, são seres de Luz que passam a iluminar com a Luz de Sabedoria do Buda Amida, a vida de cada um de nós.

Portanto seria mais adequado chamarmos esta cerimônia de hoje, como a cerimônia para nos lembrarmos com saudades daqueles que já faleceram.

Hoje, vocês devem ter vindo aqui, já sabendo de antemão que não encontrariam mais aquela pessoa com quem vocês gostariam de se encontrar para conversar. Quantos já não estão mais sentados ao lado de vocês? Neste mundo, não mais nos encontraremos com eles. Portanto, hoje é a oportunidade que temos para juntarmos nossas mãos diante do altar, oferecer incenso e agradecer a vida dos que já partiram. Quantas palavras não pudemos dizer para eles? Quantos agradecimentos, reconhecimento do esforço deles, não deixamos de transmitir enquanto estavam entre nós? Esta é a oportunidade que temos de manifestar nossa reverência e respeito. E no Budismo temos uma única palavra que engloba todos esses sentimentos que é o Namu Amida Butsu, é o nosso encontro com o sagrado, não importa qual religião você professe, nesse momento estamos todos irmanados no mesmo sentimento de reverência, unidos pelo Sagrado, relembrando aqueles que partiram antes de nós. E desta forma gostaria de encerrar esta cerimônia de Tsuitô Hôyô ou Cerimônia em Memória dos membros falecidos do Mutsumi-kai. Obrigada pela atenção.

Gasshô

Sayuri Tyō Jun



23-01-2018 アセア(アプカラーナ文化体育協会)・むつみ会追悼法要

こんにちは、追悼法要お勤めさせて頂き、お参りご参加ありがとうございました。

さて、皆さんはきっとこの追悼法要のお参りの御招待を受けて今日わざわざ足を運んでくださいましたと思います。しかし、この「追悼法要」とはどういうお参りでしょうか。少し皆さんと一緒に考えてみたいと思います。

「追悼」の漢字から考えたいのです。「追」とは「おいまくる」、「おい出す」の意味です。そして「悼」は「いたむ」、または「死を悲しむ」ことです。簡単に言えば、「死に別れの悲しさを遠ざける」ことになります。

それに、私たち仏教徒ですから、「法要」と言います、「供養」とは言いません。「供養」とは「死者に祈る」ことです。なぜ亡くなられた方に祈らないのか、まず私たちには亡くなられた方はお浄土、極楽浄土へ生まれにいきましたと信じます。お浄土は悲しみも痛みも苦しみも懐かしみもない、安らかに過ごされるところです。そこから亡くなられた方は仏さまの智慧の光で私たちを照らしてくださいます。私たち人間の力に限っているのに死んだ人をお浄土へ導かれるはずないです。または、亡くなられた親戚や友人の魂が幽霊の形になってそこらへんうろうろして、私たちが祈ってあげないとおさまらないとは皆さんは思っていませんでしょう。

ですから、このお参りは真宗門徒の私たちには「亡くなられた方を懐かしく思い出す」ために今日ここで皆さんがお集りなさったことがふさわしいと思います。

今日は新年の「むつみ会」の最初の集いで、去年は会員が何人かお亡くなりました。皆さんも「むつみ会」の集いを楽しくお待ちしながら、会いたい、話してみたいお付き合いの方も、今日はいないかもしりません。もうこの世では二度と会えない方がいますね。しかし、先言いましたが、亡くなられた方はみんなお浄土におられます。

仏教の大切なもう一つの教えは、私たちはみんなずっとつながっています、みんな関係がありながら、お互いに支えながら生きていますとの教えです。誰も一人では生きてません。知らない、ぜんぜん会ったこともない人とも私たちはつながっています。例えば、今皆さんが座っておられる椅子は、ここまで誰かが運んできました。その椅子は誰かが作りました、誰かが買いました、誰かがここまで持ってきました、それでやっと皆さんがゆったりと腰を掛けて私の話をうなずいてくださってます。

私たちはみんな、亡くなられた方も知り合いもぜんぜん会っていない人とも、つながっています、関係あります。ひとりではありません。

ですから、今日はお浄土へ行かれた方のことを思い出して、生きておられた間に感謝の言葉を伝えられなかったなら、手を合わせて、お焼香して、「ありがとうございました、ご苦労様でした、お世話になりました」とぜんぶ含めているひとつの言葉の「南無阿弥陀仏」を心からとなえてこのお参りを終わらせていただきたいです。

日本語もあまり分かりませんメンバーもいますのでポルトガル語でも話すことを頼まれましたので、もう少しお許しくださいませ。
合掌


釋尼澄純